BOLSONARO BATE O MARTELO DA REFORMA HOJE
Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2019
BOLSONARO BATE O MARTELO DA REFORMA HOJE
Por ROSA RISCALA (@rosa_riscala)*
… Bombou a balança chinesa, quando se espera pelas novidades nas negociações comerciais em Pequim. Ainda o PIB na Alemanha e zona do euro e vendas no varejo nos EUA estão na agenda do mercado externo. Aqui, Bolsonaro recebe Guedes às 15h, no Alvorada, para “bater o martelo” da reforma da Previdência. Informações de uma idade mínima menor na proposta, ao desejo do presidente, já causam preocupação ao investidor.
… Segundo apurou o Estadão, o texto deve exigir para a aposentadoria do INSS as idades de 57 anos (mulheres) e 62 anos (homens), na meta a ser atingida ao final da transição, em 2022, último ano do governo.
… O ponto de partida seria de 55 anos (mulheres) e de 61 anos (homens), com acréscimo de um ano nas idades a cada dois anos. Bem diferente da proposta original da equipe econômica, 65 anos, independente do gênero.
… Depois de 2022, essas idades subiriam até chegar a 65 anos para homens e mulheres, como defende a equipe econômica. Ou um pouco menor para as mulheres, para atender à ala política e ao próprio presidente.
… Não está claro se a proposta incluirá um tempo maior de transição, para dar continuidade à elevação da idade mínima. Guedes pretende divulgar o texto à imprensa tão logo tenha o aval do presidente Bolsonaro.
… O que mercado prestará atenção é se Guedes conseguiu com sua proposta chegar à economia de R$ 1 trilhão em dez anos, que tem como objetivo fiscal. O envio à Câmara está previsto para a próxima semana.
… Mesmo com a tramitação pelas comissões, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acredita que há chances de colocar a PEC para votar no plenário no final de maio, seguindo para votação no Senado em junho.
… O governo está fechando os detalhes da comunicação, ponto considerado central para aprovação da reforma.
… Ao contrário dos argumentos fiscais usados na reforma de Temer, a mensagem desta vez apelará ao caráter de justiça e equidade, com o fim dos privilégios de poucos servidores, financiados pela massa de trabalhadores.
… Em entrevista ontem à noite ao Jornal da Record, Bolsonaro confirmou que os militares entrarão em um “segundo tempo” na reforma da Previdência e o que se decidir para eles valerá aos policiais estaduais.
… O viés protecionista do presidente, em choque com a política econômica liberal de Guedes, é a principal causa da preocupação. E, neste sentido, cita-se a pressão de Bolsonaro para defender os produtores de leite.
… O presidente não apenas determinou à equipe econômica para elevar o imposto de importação do leite em pó da UE, compensando o fim da taxa antidumping, como fez questão de privilegiar a ministra Tereza Cristina.
… Teme-se agora que Jair Bolsonaro faça novas concessões à bancada ruralista, que já se levanta contra o corte pretendido por Guedes das isenções de contribuições previdenciárias aos exportadores do agronegócio.
… No Twitter, Luiz Carlos Mendonça de Barros apontou essas “duas rachaduras estruturais na política liberal de Paulo Guedes”, e avisou: “que o mercado reaja com realismo a estas e outras que vão aparecer!”.
… Em um recado endereçado, Guedes disse, ontem, em evento no Ministério da Economia: “O governo não pode ser uma máquina de transferência perversa de renda por meio da Previdência, dos impostos e dos subsídios”.
… Resta torcer para que o ministro esteja inspirado hoje, quando apresentar sua proposta a Bolsonaro.
E LÁ VEM CRISE – O presidente Bolsonaro mal havia aterrissado em Brasília, ontem, e a primeira crise política já esperava por ele, com o ministro Gustavo Bebbiano (Secretaria Geral) no alvo dos ataques.
… Envolvido em suposto esquema de candidatos “laranjas” para arrebanhar verbas partidárias, Bebianno foi chamado de mentiroso por Carlos Bolsonaro no Twitter, ao dizer que já se acertara com o presidente.
… Carlos, 24 horas ao lado do pai no hospital, chegou a colocar um áudio de Bolsonaro se recusando a conversar com Bebianno. Mais tarde, o próprio presidente compartilhou o tweet, deixando claro o seu aval.
… Na entrevista à TV Record, no final da noite, Bolsonaro foi perguntado sobre a crise, dizendo que, “se Bebianno errou e estiver envolvido com laranjas, o destino não pode ser outro, a não ser voltar às origens”.
… Minutos depois, Bebbiano dizia à GloboNews que não pedirá demissão, pois não fez “nada de errado”. Para o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir, “caberá ao presidente decidir o que acha mais legítimo”.
… Gustavo Bebbiano foi um dos personagens mais fortes da campanha de Bolsonaro e era o principal contato do governo na Câmara. Foi a ele, e não a Onyx Lorenzoni, que Rodrigo Maia agradeceu pelo apoio à sua reeleição.
… Teme-se que a crise no PSL aprofunde ainda mais a divisão da bancada do partido, em um momento bastante delicado, quando o Planalto precisa aglutinar sua base para aprovar a agenda das reformas.
AGENDA – Banco do Brasil divulga o balanço do 4TRI antes da abertura, com teleconferência às 10h.
… No mesmo horário (10h), a Câmara realiza audiência pública com presidente da Vale, Fabio Schvartsman.
… Lá fora, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, e o representante comercial americano, Robert Lighthizer, abrem o diálogo sobre a guerra de tarifas, em Pequim, com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He.
… A expectativa é de que Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, realizem encontro no mês que vem.
… Entre os indicadores, com o crescimento da Europa em xeque, o mercado aguarda com expectativa a leitura preliminar do PIB/4TRI da Alemanha, logo cedo (5h), e a revisão do PIB da zona do euro, que será divulgada às 8h.
… Nos EUA, as vendas no varejo (11h30) têm previsão de alta de 0,1% em dezembro. No mesmo horário, saem a inflação ao produtor (PPI) de janeiro (+0,1%) e o auxílio-desemprego, que deve ter queda de 9 mil pedidos.
… Às 13h, os estoques das empresas americanas devem registrar elevação de 0,2% em novembro.
CHINA BOMBA – Balança comercial superou de longe o esperado em janeiro, segundo mês em que vigorou a trégua comercial de 90 dias entre os EUA e Pequim. Superávit atingiu US$ 39,16 bilhões (previsão: US$ 25,45 bi).
… As importações desaceleraram o ritmo de queda, para 1,5%, contra 7,6% em dezembro, contrariando a expectativa de um tombo de 11%. Já as exportações aceleraram inesperadamente (9,1%) no mês passado.
… Reverteram, assim, o declínio de 4,4% observado em dezembro e vieram na contramão da projeção de queda de 4,1% pelos analistas de mercado. O desempenho sugere sólida demanda externa por produtos chineses.
… Seja como for, as exportações para os EUA recuaram 2,4%, enquanto as importações despencaram 41,2%.
… Somados aos progressos no diálogo comercial entre Washington e Pequim, os dados fortes na China ajudam a desfazer os piores temores de uma desaceleração brusca da economia (hard landing) por causa da trade war.
… Hoje à noite (23h30), o investidor desloca as atenções para a inflação ao consumidor (CPI) na China em janeiro.
JAPÃO HOJE – O PIB/4TRI registrou crescimento anualizado de 1,4%, pouco abaixo da previsão do mercado (1,5%).
DESCONTANDO APOSTAS – Apesar do dia positivo no exterior, o mercado doméstico se ressentiu dos detalhes sobre a Previdência vazados pela imprensa, que estão bem longe de representar uma bala de prata ao ajuste fiscal.
… A decepção com os sinais de que o governo deve bater o martelo sobre uma reforma muito menos ambiciosa do que se chegou a sonhar se somou ao desconforto criado pela crise aberta entre Carlos Bolsonaro e Bebianno.
… A divisão da bancada do PSL frustra o sentimento de urgência de unificação do partido para construir a base necessária no Congresso, capaz de garantir o sucesso de uma tramitação rápida da agenda reformista.
… Em dia de alta volatilidade, potencializada pela briga especulativa em torno do exercício das opções, o Ibovespa fracassou na tentativa de aproximação dos 97 mil pontos e fechou abaixo dos 96 mil (95.842), em queda de 0,34%.
… Inflado pelo game, o volume negociado pelo índice à vista atingiu R$ 33,3 bilhões.
… A bolsa ensaiou recuperação em vários momentos, mas a correção dos bancos sabotou qualquer reação mais firme. Na véspera de seu balanço, BB esgotou o rali do pregão anterior (6%) e caiu 2,27% (ON), a R$ 52,08.
… Bradesco PN perdeu 1,55% (R$ 44,60) e Itaú PN, -2,28% (R$ 36,91). Não fossem as altas de Vale ON (+2,69%, R$ 45,49) e de Petrobras (PN, +1,28%, R$ 26,05, e ON, +2,37%, R$ 30,65), a queda do Ibovespa teria sido maior.
… A estatal foi favorecida pela alta do petróleo, que subiu com o maior corte de produção pela Opep em quatro anos em janeiro, apontado por relatório da AIE, e ainda diante das melhores perspectivas para a economia global.
… Os avanços das negociações comerciais entre EUA e China animam as perspectivas de consumo. Voltaram a subir os contratos futuros do Brent/abril (US$ 63,61, +1,91%), na Ice, e do WTI/março (US$ 53,90, +1,51%), na Nymex.
… Já a Vale, bem descontada recentemente, gostou da declaração do secretário das Privatizações, Salim Mattar, de que o governo pensa em “reprivatizar” a empresa, desfazendo-se das participações dos fundos de pensão.
… Liderando as altas, Eletrobras também contribuiu (ON, +2,99%, e PN, +2,84%), beneficiada pela disposição mostrada pelo governo de realizar uma capitalização da estatal, com diminuição da participação da União.
… O secretário de coordenação de energia e aeroportos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Pedro Bruno Souza, declarou que a capitalização da estatal elétrica é a grande prioridade do governo este ano.
RETRANCA – Para atingir a meta de economizar R$ 1 tri em dez anos, Guedes pode compensar de alguma forma a derrota sofrida na questão da idade mínima da Previdência. Mas o mercado não deixou de ir pra defensiva.
… Pesando o risco de que deve prevalecer o desejo de Bolsonaro pela idade menor, o dólar foi a R$ 3,7533 (+1,04%), um dia depois de ter testado a faixa de R$ 3,70 na mínima intraday. Na máxima, ontem, bateu R$ 3,7607.
… Embora o dólar tenha sofrido pressão externa, com alta generalizada, o real registrou uma das piores quedas entre os emergentes, só perdendo para o rand sul-africano (+1,17%), no sinal da decepção com a reforma.
… Mesmo com o dólar apreciado, os juros futuros fecharam em baixa, surpreendidos pela inesperada queda das vendas no varejo em dezembro, de 2,2% na margem, muito pior que o piso das estimativas no mercado, de -1,7%.
… O novo sinal de lenta retomada da atividade agitou o debate sobre uma revisão em baixa do PIB/18 e recuperou apostas isoladas na curva a termo de um corte da Selic este ano, apesar da ata do Copom pouco dovish.
… Seja como for, em primeiro plano, o futuro da política monetária continua nas mãos da Previdência.
… A sabatina do novo presidente do BC, Roberto Campos Neto, confirmada para dia 26, também poderá operar as expectativas para o juro. Ele ainda é um mistério para o mercado. Desde que foi indicado, não deu entrevistas.
… O contrato mais curto de juro, para jan/20, fechou na mínima do dia, a 6,415% (de 6,485% da véspera), jan/21, a 7,060% (de 7,170%), jan/23, a 8,180% (de 8,260%), jan/25, a 8,720% (de 8,770%), e jan/27, a 9,050% (de 9,090%).
O COPO MEIO CHEIO – Lá fora, apesar de dados econômicos na Europa continuarem repetindo as surpresas negativas e elevando o perigo de recessão, a melhora das perspectivas para a economia dos EUA dissipa a tensão.
… A expectativa de que Trump evitará um novo shutdown, aceitando o acordo dos democratas para o Orçamento, com uma verba de US$ 1,4 bilhão para cercas na fronteira com o México, causa grande alívio aos mercados.
… O valor é menor do que os republicanos ofereceram no início do ano (US$ 1,6 bilhão), quando o presidente americano recusou a oferta, e é muito inferior ao que ele exigia para construir o muro (US$ 5,6 bilhões).
… Mas depois de a parada de mais um mês da máquina pública ter lhe custado oito pontos na popularidade em janeiro, em um forte revés à imagem, Trump não parece ter alternativas agora, senão ceder à pressão.
… O pacto retira do cenário um dos riscos imediatos para o PIB americano. Embora o presidente não tenha ainda assinado o Orçamento, tem insistido que não gostaria de ter uma segunda paralisação parcial do governo.
… Outra boa sinalização lá fora é que o governo Trump parece estar bem mais flexível nas negociações comerciais conduzidas com a China. O presidente disse ontem que as conversas em Pequim “estão indo muito bem”.
… No cenário mais otimista, o mercado já espera que a Casa Branca prorrogue a trégua para a trade war, que vence no dia 1º de março, atrasando a aplicação de sobretaxas adicionais aos produtos chineses.
BE HAPPY – As boas notícias melhoram o ambiente em NY, com o dólar ganhando força contra as moedas fortes e dos emergentes. O iene caiu para 111,01/US$, a libra cedeu a US$ 1,2850 e o euro recuou para US$ 1,1266.
… Na zona do euro, a produção industrial de dezembro (-0,9%) recuou o triplo do esperado pelos analistas (-0,3%), elevando a expectativa para a rodada importante de indicadores econômicos prevista para hoje no bloco europeu.
… Já nos EUA, dois FED boys (Raphael Bostic e Patrick Harker) reconheceram que o PIB americano perderá algum impulso este ano, ficando entre 2% e 2,5%, mas projetaram um cenário positivo de recuperação para a economia.
… Ainda o CPI anualizado de janeiro (2,2%), acima da meta de 2% do FED e da previsão dos analistas (+2,1%), combinado aos riscos esvaziados de shutdown e trade war, ajudou a emplacar nova alta aos juros dos Treasuries.
… O yield da Note de dez anos pagou 2,704%, de 2,680%. As bolsas em NY reprisaram a tranquilidade e renovaram os picos desde dezembro, com os mesmos catalisadores de entusiasmo na véspera (China e acordo do Orçamento).
… O Dow Jones ganhou 0,43%, a 25.534 pontos, e o S&P 500 subiu 0,27%, para 2.752 pontos. Já o Nasdaq perdeu fôlego nos minutos finais e fechou estável (+0,08%), em 7.420 pontos, sem conseguir abandonar o bear market.
BDM ONLINE – Acompanhe o mercado acessando o nosso canal no Telegram: https://t.me/bomdiamercado.
EM TEMPO… TAESA acertou com Eletrobras aquisição de “transmineiras”: Transirapé, Transleste e Transudeste.
TOTVS reverteu lucro e fechou o 4TRI com prejuízo líquido de R$ 41,715 milhões.
DURATEX reverteu lucro e sofreu um prejuízo líquido de R$ 141,959 milhões no 4TRI.
PETRORIO convocou AGE para 1º/3 para deliberar sobre a proposta de desdobramento de ações da companhia.
IMC. Conselho da dona das redes Frango Assado e Viena aprovou emissão de R$ 200 milhões em debêntures.
BOLSAS DA ÁSIA: GRANDE MERCADOS FECHAM ESTÁVEIS, DE OLHO EM FASE CRUCIAL DE DIÁLOGO EUA-CHINA
São Paulo, 14/02/2019 – As principais bolsas da Ásia fecharam perto da estabilidade nesta quinta-feira, num clima de cautela em meio ao início da principal fase das negociações comerciais entre Estados Unidos e China e após a divulgação de números melhores do que o esperado da balança comercial chinesa.
Autoridades de alto escalão dos EUA e China começaram hoje, em Pequim, uma rodada de negociações de dois dias para tentar superar as desavenças que levaram as duas maiores economias do mundo a adotar sobretarifas contra produtos um do outro desde meados do ano passado. Antes disso, representantes de ambos os lados tiveram conversas preliminares entre segunda e quarta-feira.
O objetivo agora é tentar fechar um acordo comercial até 1º de março, antes que Washington eleve tarifas sobre mais US$ 200 bilhões em produtos chineses, de 10% para 25%, no dia seguinte. Há relatos, no entanto, de que o presidente dos EUA, Donald Trump, estaria considerando adiar esse prazo em 60 dias.
Principal índice acionário chinês, o Xangai Composto fechou em baixa marginal de 0,05% hoje, a 2.719,70 pontos. Já o Shenzhen Composto, que reúne empresas com menor valor de mercado, subiu 0,66%, a 1.398,84 pontos.
Em meio ao diálogo sino-americano, a China divulgou dados de comércio exterior que superaram as expectativas. Em janeiro, as exportações chinesas tiveram expansão anual de 9,1%, contrastando com uma queda esperada de 4,1%. As importações chinesas, por sua vez, caíram 1,5% na mesma comparação, mas analistas previam redução bem maior, de 11%. O superávit comercial da China ficou em US$ 39,16 bilhões em janeiro, bem abaixo do saldo positivo de US$ 57,06 bilhões registrado em dezembro, mas acima da previsão de US$ 25,45 bilhões.
No comércio apenas com os EUA, o superávit chinês diminuiu de US$ 29,87 bilhões em dezembro para US$ 27,3 bilhões em janeiro.
O índice Nikkei também apresentou ligeira baixa em Tóquio, de 0,02%, fechando a 21.139,71 pontos. Dados publicados no fim da noite de ontem mostraram que o Produto Interno Bruto (PIB) do Japão teve crescimento anualizado de 1,4% no quarto trimestre de 2018. O resultado veio um pouco abaixo das expectativas, de alta de 1,5%, mas reverteu a queda anualizada de 2,6% registrada no terceiro trimestre.
Em outras partes da Ásia, o Hang Seng caiu 0,23% em Hong Kong, a 28.432,05 pontos; enquanto o sul-coreano Kospi subiu 1,11%, a 2.225,85 pontos, graças ao seu maior blue chip, a Samsung Electronics (+2,8%); e o Taiex ficou praticamente estável em Taiwan, com baixa de 0,02%, a 10.089,91 pontos.
Na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho, pressionada por ações de grandes bancos domésticos e do setor de telecomunicações. O S&P/ASX 200 recuou 0,07% em Sydney, a 6.059,40 pontos. (Sergio Caldas, com informações da Dow Jones Newswires – sergio.caldas@estadao.com)
PSC: BOLSONARO E GUEDES SE REÚNEM HOJE, QUANDO PRESIDENTE DIZ QUE BATERÁ MARTELO SOBRE REFORMA
São Paulo, 14/02/2019 – Um dia após receber alta do hospital, o presidente Jair Bolsonaro vai receber nesta quinta-feira (14) o ministro da Economia, Paulo Guedes, para uma reunião no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República. O compromisso consta na agenda de Guedes e está previsto para ocorrer entre 15h e 16h30.
A agenda não traz a pauta do encontro, mas há uma expectativa grande de que Bolsonaro e Guedes comecem a fechar os detalhes da proposta de reforma da Previdência que será enviada ao Congresso Nacional.
Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, parlamentares que têm conversado com Guedes sobre a reforma da Previdência foram informados por ele nesta quarta-feira (13) que Bolsonaro deverá analisar a proposta e dar uma resposta sobre o texto em no máximo dois dias. O presidente dará a palavra final sobre pontos como a idade mínima para aposentadoria e o sistema de capitalização.
Em entrevista gravada ainda no hospital Albert Einstein e exibida ontem à noite pela Record TV, Bolsonaro disse que baterá o martelo sobre a reforma da Previdência que será enviada ao Congresso na tarde desta quinta-feira.
O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou acreditar que o texto final sobre a proposta pode ser enviado ao Congresso Nacional na próxima semana.
Entretanto, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, não garantiu que a reforma da Previdência será apresentada na semana que vem. Segundo ele, o envio do texto ao Congresso depende de Bolsonaro e pode ocorrer apenas na semana seguinte, a última de fevereiro. Com tom pouco assertivo, Onyx afirmou que a reforma “provavelmente deve ser apresentada até o final do mês”.
Onyx acrescentou que o governo Bolsonaro é formado por um “conceito fraterno” que será conhecido pela população na apresentação da reforma da Previdência. Ele destacou que o presidente “tem uma preocupação muito grande em fazer uma nova Previdência que respeite as pessoas”.
Telegráficas
Bebianno. No Twitter, o presidente Jair Bolsonaro compartilhou publicações feitas por um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (RJ), contra o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Em uma das publicações, Bolsonaro compartilhou um áudio publicado inicialmente pelo filho no qual desmentiria informação dada por Bebianno de que conversou três vezes com o presidente anteontem, em meio a suspeitas de candidaturas laranja no PSL na última eleição. Na época, Bebianno era presidente do partido. Em entrevista gravada e exibida na noite de ontem pela Record TV, Bolsonaro confirmou que não conversou com Bebianno e disse que, se o ministro estiver envolvido com laranjas, “o destino não pode ser outro a não ser voltar a suas origens”. À Globonews, Bebianno diz que não tem intenção de pedir demissão “porque não fez nada de errado”.
Flávio Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PSL) participou na noite desta quarta-feira (13) da cerimônia de posse da nova diretoria do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco). O primogênito do presidente Jair Bolsonaro sentou na primeira fila da plateia formada por auditores, delegados e demais integrantes do Fisco, mas não foi convidado para formar a mesa de autoridades. Seu correligionário, o senador Major Olímpio, foi escolhido para representar o Senado na mesa. Em meio ao escândalo do Caso Coaf, Flávio poderá se tornar alvo dos auditores fiscais que participaram do evento. Como revelou o Estado, a Receita decidiu investigar todos os citados no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontou movimentação atípica na conta Fabrício de Queiroz, ex-assessor de Flávio.
Senado. A Corregedoria do Senado pediu a ajuda do ministro da Justiça, Sérgio Moro, para desvendar o caso de fraude na votação para eleição da presidência da Casa, no último dia 2. No dia, foi encontrado um voto a mais do que o número de votantes. O corregedor, o senador Roberto Rocha (PSDB-MA), disse ao Broadcast Político que ligou para o ministro para solicitar a ajuda da Polícia Federal na análise das imagens capturadas. Além dos vídeos produzidos pelas câmeras televisivas, também estão sendo investigadas mais de 11 mil fotografias. Para o corregedor, “é pouco provável” que o voto duplo tenha sido um equívoco, mas sim um ato intencional.
Fitch. A codiretora de rating soberano para as Américas da Fitch Ratings, Shelly Shetty, afirmou em entrevista ao Broadcast que “a não realização ou não aprovação pelo Congresso da reforma da Previdência neste ano colocará pressão negativa sobre o rating do Brasil”. Segundo ela, sem tal mudança estrutural no sistema de pagamento de benefícios para aposentados, “será emitido um sinal negativo sobre a perspectiva de avanço de reformas fiscais no País, dado que no primeiro ano de governo há mais capital político para que tal medida seja adotada”. Ela ressaltou que a ausência da reforma da Previdência “poderá subir o custo de financiamento do governo no mercado e isto será um foco de preocupação para nós”.
Imóveis da União. A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o texto-base da Medida Provisória 852, de 2018, que trata de questões relacionadas a imóveis da União, como a transferência de prédios do INSS ao Tesouro Nacional e a liberação da venda de imóveis da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA). As propriedades poderão ser usadas para venda, criação de fundos imobiliários e para utilização por outros órgãos do governo para a redução de despesas com aluguéis. A medida propõe ainda a doação a Estados e municípios. A MP destrava a venda da maior parte da lista de imóveis que a União considera passíveis de venda, com valor de mercado. Uma lista deixada pelo antigo governo à nova gestão tem cerca de 2 mil imóveis que são considerados interessantes para venda, estimados em R$ 3,3 bilhões. Destes, 1.900 são do INSS. A MP ainda tem que passar pelo crivo do Senado.
(Eulina Oliveira – eulina.oliveira@estadao.com)