Política e Mercado

CRISE DO PSL ROUBA A CENA DA REFORMA

Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019
CRISE DO PSL ROUBA A CENA DA REFORMA
Por ROSA RISCALA (@rosa_riscala)*
… Dois dados nos EUA, atividade Empire State e produção industrial, podem piorar o humor em NY, se vierem fracos, em um dia que já deve amanhecer difícil, após Trump avisar que pretende decretar emergência nacional para ter seu muro. Ele dará declaração na fronteira às 13h. A Casa Branca virou as bolsas a minutos do fechamento. Aqui, a crise do PSL pode roubar a cena e o otimismo dos investidores com a largada da Previdência.

… Confirmadas no fim da tarde, as idades mínimas de 62 anos para a aposentadoria das mulheres e 65 anos para homens, no prazo de apenas 12 anos, dispararam a Bovespa e afundaram o dólar e os juros futuros (leia abaixo).

… O mercado temia que prevalecessem as idades citadas várias vezes por Bolsonaro, 57/62, e a baixa expectativa acabou potencializando o impacto positivo desse ponto da reforma, que vai para a Câmara na próxima 4ªF.

… Tanto as idades quanto o período de transição foram bem recebidos, projetando uma reforma mais dura, com resultados mais rápidos, embora analistas prefiram esperar por mais detalhes para calcular o efeito fiscal.

… Fontes da equipe econômica garantiram às jornalistas Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, do Estadão, que a proposta aprovada por Bolsonaro permitirá economia de R$ 1,1 trilhão em 10 anos, pretendida por Guedes.

… Alguns aspectos, no entanto, como as propostas para os militares e os policiais, ainda precisam ser conhecidos para dar essa segurança. O texto só será divulgado na íntegra no dia em que for para o Congresso.

… O Estadão apurou também que as idades mínimas finais seriam atingidas em 2029 para os homens (65 anos) e em 2031 para mulheres, levando 10 anos e 12 anos, respectivamente, para sua conclusão.

… Pela proposta, as idades sobem seis meses a cada ano, iniciando em 2019 com 60 anos para homens e 56 anos para mulheres. Neste ritmo, chegarão a 2022, final do governo, em 61,5 anos (homens) e 57,5 anos (mulheres).

… O mercado trabalha com uma espécie de “deságio” da proposta, considerando que veio acima do esperado para dar margem de negociação com os parlamentares. Mesmo assim, gostou do que foi apresentado.

ROUBANDO A CENA – O que o mercado não está gostando é dessa infeliz coincidência que juntou, no mesmo dia, a reforma e a crise detonada pelo tweet de Carlos Bolsonaro contra o ministro Gustavo Bebianno.

… O receio é de um desgaste desnecessário do governo, em um momento importante para a construção da base aliada no Congresso, onde se espera que o presidente use todo o capital político da eleição.

… Mas Bolsonaro não só não está pondo ordem na casa, como está ajudando a botar fogo no circo.

… Sem entrar no mérito das supostas acusações de laranjas, usados por Bebianno na campanha eleitoral, é uma unanimidade a crítica ao modus operandi da fritura pública do ministro e da “filhocracia” no poder.

… À exceção de alguns deputados mais excêntricos, como Alexandre Frota, que ontem espremeu laranjas podres no plenário, o constrangimento divide o PSL e causa desconforto aos aliados e alegria à oposição.

… Enquanto a coisa se arrasta, Bebianno já coleciona uma fila de manifestações solidárias, que incluem desde o vice Mourão, até Onyx Lorenzoni e os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre.

… Os bombeiros da crise incluem também os militares, que consideram complicada uma demissão agora, já que daria força a Carlos Bolsonaro na guerra de caráter notoriamente pessoal e estranha ao rito da Presidência.

… Bolsonaro, porém, não manda chamar Bebianno, não está preocupado em oferecer uma saída honrosa, não se manifesta sobre o caso que incendeia Brasília e se arrisca a ganhar um inimigo que pode cair atirando.

… Ontem, em entrevista à revista Crusoé, Gustavo Bebianno, que andou pra baixo e pra cima com Bolsonaro nos dois anos da campanha, disse que “o presidente está com medo de receber algum respingo”.

… No final da noite, O Antagonista informou que o presidente já havia se decidido, que mandou um recado a Bebianno para que pedisse demissão até segunda-feira, ou seria demitido. Só piora…

MORO – Quer encaminhar o pacote anticrime à Câmara na próxima semana. Junto com a reforma?

THE DREAM IS NOT OVER – Se a crise do PSL (e o exterior) não estivessem aí para ameaçar estragar a festa, a esta altura, o investidor poderia estar bem tranquilo para antecipar que a bolsa desencantaria o rali dos 100 mil pontos.

… O target continua na mira, mas não parece uma aposta certa e nem garantida com os focos de risco no radar.

… Ontem, o poder de fogo exibido por Guedes na negociação da reforma da Previdência, para emplacar efeitos fiscais mais rápidos, levou o entusiasmo a tomar conta dos pregões domésticos perto do fechamento dos negócios.

… O dólar renovou mínimas sequenciais, o DI desarmou prêmio na sessão estendida e o Ibovespa rompeu 98 mil pontos. Acelerou a alta (+2,27%) na reta final, a 98.015 pontos, mais de três mil pontos acima da mínima (94.915).

… O volume se destacou, em R$ 18 bilhões, embora ainda sejam os fundos locais que estejam bancando a bolsa.

… Há tempos, o mercado vinha à espera da espinha dorsal da reforma previdenciária, que veio muito melhor do que a encomenda, se comparada à proposta light de Bolsonaro que havia vazado na véspera pela imprensa.

… Só cinco ações fecharam em baixa na bolsa: Equatorial ON (-0,11%), Gol PN (-0,52%), Hypera (-0,13%), Marfrig ON (-0,53%) e Suzano ON (-1,79%). Já BB (ON, +5,11%), que divulgou balanço, esteve entre as maiores altas.

… As blue chips registraram ganhos firmes: Ambev (+1,09%, R$ 18,59), Bradesco PN (+3,81%, R$ 46,30), Itaú PN (+2,66%, R$ 37,89), Eletrobras PNB (+2,65%, R$ 39,83), Petrobras PN (+3,45%, R$ 26,95) e ON (+2,09%, a R$ 31,29).

… Até mesmo a Vale, que passou a maior parte do pregão no vermelho, virou no final: ON, +0,37%, a R$ 45,66.

… No caso de Petrobras, já subia com o petróleo e catalisou os ganhos com os detalhes da Previdência. Mas, diante do rali recente, as ações da estatal podem ficar vulneráveis a um ajuste negativo, se a cessão onerosa atrasar.

… No Valor, a equipe econômica vê grande dificuldade de o governo fechar até o fim do mês um acordo em torno da revisão do contrato, já que o montante pedido pela empresa segue muito acima do estipulado pela Fazenda.

… A informação de bastidor frustra o driver de otimismo acionado recentemente pelas declarações do novo presidente da companhia, Roberto Castello Branco, de que um desfecho poderia sair ainda em fevereiro.

… No final da manhã de hoje (11h), Castello Branco se encontra com o ministro Paulo Guedes, no Rio.

… Lá fora, o petróleo foi favorecido pelo otimismo duplo com a China, no efeito combinado da alta (+4,8%) nas importações de commodity pelo país em janeiro e relatos de que a trégua com Pequim será estendida por 60 dias.

… Na Ice, o Brent para abril fechou a US$ 64,57 (+1,51%). O WTI para março foi a US$ 54,41 (+0,95%) na Nymex.

HABEMOS REFORMA – Já pouco antes de terminar a reunião de Bolsonaro com os ministros, o dólar começou a cair. Antecipando um texto ousado, furou R$ 3,72 e fechou perto da mínima (R$ 3,7158), a R$ 3,7198 (-0,89%).

… Mais cedo, chegou a superar R$ 3,79 na máxima, com a fritura de Bebianno ameaçando uma tramitação rápida da reforma, na crise interna aberta dentro do PSL, que ainda continua devendo a consolidação da base política.

… Se o bicho continuar pegando hoje em Brasília, com o fogo amigo, a moeda pode repensar o alívio.

… Ontem, além de os detalhes da reforma da Previdência terem dissipado a pressão inicial no câmbio, também o dólar enfraquecido lá fora, especialmente na comparação com as moedas emergentes, ajudou a apreciar o real.

… O DI, que já estava fechado, quando o governo divulgou a reforma, perdeu mais fôlego depois do pregão regular.

… Na ponta longa, que melhor reflete os riscos fiscais, o janeiro/23 terminou em 8,06% na etapa estendida, de 8,12% na regular e 8,182% na véspera. O janeiro/25 foi a 8,59% (estendida), de 8,66% (normal) e 8,72% (ajuste).

… O janeiro/21 caiu para 6,970%, de 7,00% (regular) e 7,061% (véspera). O janeiro/20 fechou estável, em 6,415%.

ANOTHER BRICK IN THE WALL – Nos EUA, na manobra para não precisar do Congresso, que se recusou a fornecer US$ 5,7 bilhões para financiar o muro, Trump está preparado para invocar emergência nacional para a obra.

… A oposição já acusa o presidente de abuso de poder e a presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, afirmou que, se a Casa Banca seguir adiante com o plano, os deputados do partido o contestarão legalmente.

… O golpe de última hora de Trump tirou gás das bolsas em NY na reta final. O Dow Jones fechou em queda de 0,41%, a 25.438 pontos, S&P caiu 0,27%, para 2.745 pontos, e Nasdaq ficou estável (+0,09%), em 7.426 pontos.

… Mais cedo, Wall Street tentava se animar com declarações da diretora do FED, Lael Brainard, de que o processo de redução do balanço patrimonial do BC norte-americano “provavelmente pode terminar no fim deste ano”.

… O recado foi dovish, já que outros FED boys não descartaram seguir com o corte no portfólio de ativos até 2021.

… Ela também chegou a melhorar o humor do mercado, ao comentar a decepção com a leitura de dezembro das vendas do varejo em dezembro (-1,2%), maior queda em quase uma década. “É referente a apenas um mês.”

… O susto com o indicador colocou à prova a recente confiança de que a economia americana estava protegida da desaceleração global e precipitou uma chuva de revisões em baixa do PIB pelos grandes bancos globais.

… O JPMorgan cortou a projeção para o 4TRI de 2,6% para 2,0% e passou a prever só uma alta do juro este ano, ao invés de duas. Ainda o Goldman Sachs (de 2,5% para 2%) e Citi (de 2,9% para 2,7%) reduziram as apostas do PIB.

… O Credit Suisse espera agora que os EUA só cresçam 2,8% (de 3,5%) e o Barclays, 2,1%, contra 2,8% antes.

MUITA CALMA NESTA HORA – A decepção com o indicador do comércio nos EUA, embora seja um foco de perigo importante, endossa a opção do FED pela paciência, com chance de pausa prolongada na política monetária.

… Alguns analistas ponderaram que o dado fraco pode ter sido distorcido pelo shutdown e pelos surtos de volatilidade observados nas bolsas americanas em dezembro, que desgastaram a confiança do consumidor.

… Já os mais pessimistas se alarmaram com o fato de dezembro ser um mês historicamente lucrativo para as varejistas, por conta da temporada de festas, o que agravou a percepção de risco entre os investidores.

… Nos Treasuries, o juro da Note de dez anos quebrou uma sequência de altas e recuou a 2,652%, de 2,704%.

… No câmbio, o dólar perdeu terreno para o iene (110,54/US$) e euro (US$ 1,1296). Já a libra (US$ 1,2797) não escapou de cair, após May sofrer nova derrota no Parlamento, que votou contra moção sobre o Brexit.

… A votação foi simbólica, mas vista como novo sinal da fraqueza da premiê para fechar o acordo de divórcio com a UE e garantir a sua aprovação no Parlamento. A data prevista para a saída do Reino Unido do bloco é 29/3.

AGENDA – Depois do baque com as vendas no varejo dos EUA, a força da economia americana volta a ser testada.

… O índice Empire State (11h30), de atividade industrial em NY, deve melhorar para 7,0 em fevereiro, de 3,9 em janeiro. Às 12h15, a produção industrial tem previsão de alta de 0,1% no mês passado, contra 0,3% em dezembro.

… A leitura preliminar do sentimento do consumidor (Michigan) sai às 13h. Estimativa é de 93 em fevereiro.

… Sem direito a voto, o FED boy Raphael Bostic participa de sessão de perguntas e respostas, às 12h55.

… Na Europa, acontece reunião de gabinete da Espanha sobre a possibilidade de se convocar eleições antecipadas.

AQUI – O IBC-Br de dezembro (8h30) deve vir próximo de zero (-0,04%), na mediana de pesquisa Broadcast, desacelerando contra novembro (+0,29%). No acumulado de 2018, a previsão é de 1,3%, na lenta retomada.

… Antes (8h), o IGP-10 deve abandonar a deflação de janeiro (-0,26%) e subir 0,25% em fevereiro.

CHINA HOJE – Na menor alta em 12 meses, a inflação ao consumidor (CPI) avançou 1,7% em janeiro, ligeiramente abaixo da mediana das expectativas de analistas, de 1,8%. O PPI (+0,1%) veio em linha com as apostas.

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EM TEMPO… PETROBRAS vai reconhecer no balanço do 4TRI provisão de R$ 3,5 bilhões por Parque das Baleias…

… A estatal informou que pagará hoje juros de debêntures referentes à 5ª emissão…

… Dados mostram que as pessoas físicas compraram a maior parte dos títulos oferecidos pela companhia.

COSAN registrou lucro líquido de R$ 1,327 bilhão no 4TRI, alta de 93,3% em relação a igual período de 2017…

… A empresa não divulgará guidances para 2019, devido a emissão de debêntures e OPA da Comgás.

GRENDENE reportou lucro líquido de R$ 251,3 milhões no 4TRI, levemente superior (+0,3%) a um ano antes…

… O conselho de administração aprovou proposta da diretoria da empresa de não divulgar mais guidance.

SMILES reportou lucro líquido de R$ 164,6 milhões no 4TRI, alta 33,8% sobre o mesmo período do ano passado…

… O conselho de administração aprovou um aumento de capital de R$ 210 milhões com reserva de capital.

GAFISA. O controle da companhia passou para grupo de investidor em leilão de ações…

… A GWI vendeu a totalidade (14,6 milhões) das ações da companhia, que representam 33,67% das ON…

… Com preço de R$ 9, o volume financeiro chegou a R$ 131,4 milhões.

ANIMA. A Península Fundo de Investimento em Participações (FIP) vendeu 2,3 milhões de ações ON.

MMX. Assembleia de credores da empresa, em recuperação judicial, foi convocada para 15/3.

BRASIL PHARMA, em recuperação judicial, marcou para 4/3 primeiro leilão para vender unidades da rede Farmais.

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PSC: PROPOSTA DE REFORMA ACEITA POR BOLSONARO GARANTE ECONOMIA DE R$ 1,1 TRILHÃO

São Paulo, 15/02/2019 – A proposta de reforma da Previdência aceita pelo presidente Jair Bolsonaro ontem garante uma economia de R$ 1,1 trilhão nas despesas, segundo apurou o Broadcast. Pela tabela de transição apresentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, ao presidente, as idades mínimas finais seriam atingidas em 2029 para homens (65 anos) e em 2031 para mulheres (62 anos).

As idades mínimas sobem seis meses a cada ano, a partir de 2019 com 60 anos para homens e 56 anos para mulheres. Com esse ritmo, a idade mínima para aposentadoria em 2022, último ano do mandato do governo Bolsonaro, será de 61,5 anos (homens) e 57,5 anos (mulheres). Essas idades eram o desejo do presidente. Segundo uma fonte, o desenho “alinha o discurso de Bolsonaro com a necessidade econômica”.

As regras foram fechadas ontem pela equipe econômica e Bolsonaro em reunião no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, quando foi definida a idade mínima de aposentadoria de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, após um período de transição de 12 anos.

O trabalhador que pretende se aposentar por tempo de contribuição poderá escolher a regra de transição que mais lhe beneficiar entre três possibilidades que estarão na proposta de reforma da Previdência, segundo apurou o Broadcast. Para agradar ao presidente, a equipe econômica inseriu uma alternativa de transição por idades mínimas, uma exigência que hoje não existe para essa modalidade.

Já para os trabalhadores mais pobres, que já se aposentam pelas idades de 60 anos para mulheres e 65 anos para homens, haverá apenas o ajuste na regra das mulheres, com elevação até 62 anos. A aposentadoria por idade já é realidade para mais da metade (53%) das pessoas que pedem o benefício ao INSS.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), comemorou a decisão do governo de estabelecer uma idade mínima e um período de transição para a proposta de reforma da Previdência, que deve ser apresentada ao Congresso na próxima quarta-feira, dia 20. Alcolumbre disse, no entanto, que agora será a vez de Câmara e Senado debaterem “livremente” quais são os melhores termos para as mudanças nas regras de aposentaria.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que deve conversar no fim de semana com o secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Rogério Marinho, antes que o texto da reforma da Previdência seja apresentado ao parlamento.

O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), disse que as mudanças feitas por Bolsonaro à proposta da reforma da Previdência levaram em consideração as características de cada grupo social para, segundo ele, deixar o texto “justo para todos”.

A codiretora de rating soberano para as Américas da Fitch Ratings, Shelly Shetty, destacou em comentário a jornalistas que “vai esperar os detalhes completos da reforma da Previdência, a magnitude, o ritmo” e a poupança de recursos que o Tesouro deve obter anos adiante para uma avaliação mais consistente. “A reforma da Previdência é necessária para o Brasil para melhorar estruturalmente a trajetória das finanças públicas no médio prazo”, apontou.

Após a divulgação dos primeiros pontos referentes à reforma da Previdência, o desafio do governo Bolsonaro é trabalhar com a base e a opinião pública as propostas de mudança nas regras da aposentadoria. A avaliação é do cientista político do Insper Carlos Melo. “O governo agora tem de trabalhar a base. A meu ver, se a gente tivesse uma base mais estruturada, já dava para chegar agora com os pontos da reforma mais amarrados. É preciso trabalhar na opinião pública e parar de fazer espuma na própria base”, afirmou o cientista político.

Bebianno
A crise envolvendo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, é outro foco. Em nota divulgada ontem à noite, Bebianno afirmou que não foi responsável por candidatas de Pernambuco beneficiadas por recursos do PSL. “Reitero meu incondicional compromisso com meu país, ética, combate à corrupção de verdade. Meu trabalho foi executado com total transparência e lisura”, afirmou.

Bebianno pode ser um dos alvos de um inquérito para apurar suspeitas de desvios de recursos do Fundo Partidário destinados ao PSL por meio de supostas candidaturas laranjas nas eleições de 2018. Ele presidiu o partido durante o período eleitoral.

Na nota, o ministro diz que sua responsabilidade na campanha eleitoral eram as contas do então candidato Jair Bolsonaro. “Não me competiam contatos com qualquer fornecedor, excetuando a chapa para presidente”, acrescentou.

Aliados de Bebianno afirmam que o ministro espera uma “saída honrosa” para a crise. Essa saída, no entanto, não estaria ainda muito clara nem mesmo para o ministro. Uma das opções levantadas por uma pessoa próxima a ele seria esperar o clima distensionar para, então, Bebianno sair de cena com a possibilidade de assumir outro cargo no governo federal. O gesto seria visto como uma forma de gratidão de Bolsonaro pelo apoio que recebeu de Bebianno durante a campanha eleitoral.

Para isso, Bebianno esperava ao menos conversar pessoalmente com o presidente, o que não aconteceu. O presidente ignorou o ministro, mas passou o dia com agenda movimentada no Palácio do Alvorada, em reunião com integrantes da equipe para tratar da reforma da Previdência e até mesmo da situação de Bebianno.

A exposição de Bebianno nas redes sociais de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, com publicações que acabaram sendo compartilhadas pelo pai, causou desconforto e foi vista como uma “indelicadeza”.

Bebianno se reuniu com o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que atua para mantê-lo no cargo, inclusive com declarações públicas de apoio. Onyx possui entendimento semelhante ao dos militares do governo, que também tentam conter a crise instalada perto da apresentação da reforma da Previdência no Congresso. Além disso, a avaliação é de que diferentes alas do governo se uniram pela permanência de Bebianno para evitar que Carlos Bolsonaro ganhe ainda mais poder no governo com a possível saída do ministro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (MDB-AP), também saiu em defesa de Bebianno nesta quinta-feira. Alcolumbre disse que Bebianno não tinha “obrigação” de acompanhar “tantas candidaturas” no País.

Ainda assim, Alcolumbre não seguiu o discurso do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e minimizou os impactos da crise no Parlamento, em meio à chegada da reforma da Previdência no Congresso.

(Eulina Oliveira – eulina.oliveira@estadao.com)

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