Política e Mercado

Bom dia!!
NO OLHO DO FURACÃO

Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2019
NO OLHO DO FURACÃO
Por ROSA RISCALA (@rosa_riscala)*
… Produção industrial da Alemanha e reunião do BoE inglês abrem o dia dos mercados globais, que monitoram ainda mais uma tentativa de May de renegociar o Brexit, em Bruxelas. Em NY, Twitter divulga balanço antes da abertura. Aqui, tem Klabin e, à noite, Lojas Renner. A grande expectativa é para a Bovespa, que ontem assustou pelo tombo de quase quatro mil pontos, com Vale no olho do furacão arrastando as ações de bancos.

… O prognóstico de nova queda para Vale já vinha da noite anterior, quando a companhia declarou “força maior” para os contratos de vendas de minério, com a decisão judicial que paralisou sua segunda maior mina.

… Mas as coisas ficaram ainda piores no meio da tarde, depois que o governo mineiro suspendeu a licença para a Vale operar a barragem de Laranjeiras, onde está a mina de Brucutu, que produz 30 milhões toneladas/ano.

… A notícia levou a Bovespa a interromper as negociações com o papel para a divulgação de fato relevante, que confirmou a cassação da licença. Naquele momento, Vale ON caía 4,88%, cotada a R$ 42,46.

… Mesmo antes disso, o Ibovespa já renovava mínima sobre mínima, descendo a ladeira de mil em mil pontos. A queda foi generalizada, e com exceção de uma única ação, Suzano (+1,18%), todas as outras sangraram.

… Com queda de 3,74%, o Ibovespa fechou aos 94.636 pontos, e movimento financeiro de R$ 17,2 bilhões.

… O risco de exposição de crédito à Vale derrubou os papéis de bancos, com Itaú PN caindo a R$ 36,24 (-4,2%), Bradesco PN a R$ 43,54 (-4,7%), Santander Unit a R$ 47,73 (-4,1%) e Banco do Brasil ON a R$ 51,32 (-6%).

… Vale também levou junto Bradespar PN (-4,3%, R$ 27,02) e as siderúrgicas: CSN ON (-5,7%) e Gerdau (-3,7%).

… Perto do final do pregão, mais um baque atingiria a empresa: segundo Andréia Sadi (TV Globo), Vale tomou conhecimento de problemas nos sensores de Brumadinho dois dias antes do rompimento da barragem.

… Uma troca de e-mails identificada pela PF revelou que engenheiros da TUV SUD, responsável pelo laudo de estabilidade da barragem, alertaram a Vale nos dias 23 e 24 de janeiro. A barragem rompeu no dia 25.

… Em nota enviada à TV Globo, a empresa afirmou que “se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações, de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades”.

… O impacto dessa informação tende a ser muito mais grave para Vale, e ainda repercutir no preço das ações.

… Especialista em barragens da UFMG, Carlos Barreira Martines explicou ao Globo que os sensores (piezômetros) são tubos que medem a pressão da água e disparam quando a drenagem falha e há risco de rompimento.

… Para ele, identificado o problema, a mina deveria ter sido imediatamente evacuada, o que preservaria centenas de vidas. Segundo o último balanço, 152 mortos já foram identificados e 182 continuam desaparecidos.

… Ainda nesta 4ªF, a Vale aceitou pagar R$ 13,4 milhões imediatamente ao governo de MG, em ressarcimento pelos gastos com as medidas emergenciais decorrentes do rompimento da barragem em Brumadinho.

… O acordo foi feito entre representantes da PGR, AGU, MPF, MP-MG e Defensoria Pública, em reunião ontem à tarde na 6ª Vara da Fazenda Pública de BH, onde corre processo que bloqueou R$ 1 bilhão da Vale.

PREVIDÊNCIA – Em entrevista, ontem à noite, na GloboNews, Rodrigo Maia voltou a defender com entusiasmo a reforma da Previdência, destacando a importância de o governo vencer a batalha da comunicação.

… O presidente da Câmara tem insistido muito no risco das “falsas informações” divulgadas pelas corporações, que contaminam a compreensão da reforma da Previdência, como aconteceu com a PEC de Temer.

… Segundo Maia, o novo governo tem credibilidade e acesso à população pelas redes sociais para obter apoio e explicar que, sem a reforma, o País entrará em “colapso fiscal, a recessão vai voltar e a inflação, explodir”.

… Na opinião dele, as corporações já começaram a se movimentar: “Quem você acha que vazou a minuta da PEC que circulou esta semana? Você tem alguma dúvida de que foi um servidor público”?

… Maia, no entanto, está confiante e otimista, acha que a reforma será aprovada e, mesmo com rito regimental, ou seja, discutida nas comissões respectivas, poderá ser votada na segunda quinzena de maio.

… Assim como Guedes, ele conta com o apoio dos governadores, com quem pretende se encontrar em várias viagens pelos Estados. “Eu tenho essa responsabilidade, de liderar a aprovação da reforma”.

… Nesta 4ªF, em busca de motivos para as quedas violentas da bolsa, o desconforto com um atraso na reforma era citado por alguns traders. Mas, embora as incertezas existam, a Previdência (ainda) não é a culpada.

UM LÍDER QUE NÃO LIDERA – Não é a proposta mais ou menos hardcore para a Previdência a preocupação do mercado, e sim as dificuldades de articulação política, que já estão sendo mostradas na Câmara.

… O líder do governo, major Vitor Hugo (PSL), é um novato no Congresso que não conquistou o respeito dos seus pares, por enquanto. Na primeira chamada para uma reunião de líderes, ninguém apareceu.

… Já Onyx, a despeito de ter vencido a disputa pelo Senado, elegendo Davi Alcolumbre, ainda não convenceu.

… Superado o início dos embates naturais deste início do ano legislativo, que levou para a Câmara a polarização da sociedade, o desafio do governo é avançar na construção de sua base. A PEC precisa de 308 votos.

LEVE-ME A SEU LÍDER – A dificuldade de articulação política ajudou a zerar ontem posições vendidas no dólar.

… Na máxima do dia, a moeda americana chegou a subir perto de 1,5% e bater em R$ 3,7165. Ainda que tenha desacelerado a alta (+1,11%), para R$ 3,7049 no fechamento, registrou a maior valorização dos últimos 11 pregões.

… Apontado como ponto de resistência técnica importante, se buscar R$ 3,73, pode trazer desconforto.

… A apreensão com um atraso do cronograma da agenda reformista relegou ao segundo plano os dados positivos do fluxo cambial de janeiro (US$ 55 milhões), revertendo o desempenho negativo de dezembro (US$ 995 milhões).

… Ainda a alta em escala global influenciou para o dólar apreciado. O iene caiu a 109,96/US$ e mais um indicador fraco derrubou o euro (US$ 1,1370), com o recuo das encomendas à indústria alemã em dezembro (-1,6%).

… Ainda a libra (US$ 1,2939) não resistiu a novas perdas, na véspera da viagem de May a Bruxelas, para encontro (12h) com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em meio à pressão para adiar o Brexit.

… Ela tentará definir novas regras que assegurem a não separação das duas Irlandas, o ponto mais polêmico do acordo. O divórcio da UE está marcado para 29 de março. A oposição quer adiar em dois meses, para 24 de abril.

… Apesar do dólar forte, o petróleo reverteu a baixa da abertura e se recuperou com os estoques do DoE um pouco melhores que o previsto. O Brent/abril subiu 1,15%, a US$ 62,69, e o WTI/março foi a US$ 54,01 (+0,65%).

FUGIU AO SCRIPT – Na despedida do BC, Ilan surpreendeu a expectativa do mercado, que esperava por um comunicado mais neutro do Copom, sem se comprometer com o futuro, diante da troca iminente de comando.

… Ao invés de só passar o bastão para Roberto Castelo Branco, até que ele seja sabatinado pelo Senado, Ilan pareceu endossar uma mensagem muito menos dovish do que se imaginava para quem está de saída do BC.

… Depois de confirmar o consenso de manutenção da Selic em 6,50% em fevereiro, o comitê de política monetária deixou pouca margem para prosperarem as apostas de corte do juro no curto prazo, apesar da inflação ancorada.

… Embora tenha reconhecido o arrefecimento dos riscos inflacionários, causou surpresa que a projeção para o IPCA deste ano tenha sido mantida em 3,9%, mais próxima do teto das estimativas dos analistas de mercado.

… O comunicado frustrou, assim, a expectativa de que o balanço de riscos ficasse mais balanceado e voltou a bater na tecla da “cautela e serenidade” como elementos úteis na perseguição da trajetória da inflação rumos às metas.

… O Copom deu ainda grande destaque no texto para a necessidade das reformas, “que afetam as expectativas e as projeções econômicas correntes”, das quais dependerão os próximos passos da política monetária.

… Passou a impressão de que o mais coerente é se esperar, por enquanto, pela estabilidade da Selic, o que tende a “abrir” os juros curtos hoje, eliminando a precificação das apostas de um desaperto ainda no primeiro semestre.

… Seja como for, o novo presidente do BC ainda é uma incógnita ao mercado. Desde que foi indicado, ainda não deu entrevistas, deslocando as expectativas para a sua sabatina no Senado, esperada para as próximas semanas.

… Nos ritos do Congresso, a sua indicação ao comando do BC chegou ontem ao Senado e deverá ser lida pelo plenário da Casa, antes de ser enviada para a Comissão de Assuntos Econômicos, que marcará a data da sabatina.

… Depois, a indicação de Roberto Campos Neto precisará ser aprovada pelos senadores em votação secreta.

… À espera do Copom, o janeiro/20 pouco oscilou ontem, a 6,375%, de 6,370%. Também o janeiro/21 não foi longe, de 7,001% para 7,020%. Já a ponta mais longa da curva do DI colocou prêmio de risco com a reforma.

… O vencimento para janeiro/23 subiu para 8,17%, de 8,09%, e o janeiro/25 avançou de 8,61% para 8,72%.

AGENDA – No day after do Copom, o IGP-DI (8h) deve voltar ao campo positivo em janeiro, após dois meses de deflação. As previsões variam de queda de 0,03% a alta de 0,38%, com mediana de 0,18%, em pesquisa Broadcast.

… Nos EUA, hoje à noite (22h30), fala o FED boy James Bullard (vota). Entre os indicadores, saem o auxílio-desemprego (11h30), com previsão de queda de 28 mil pedidos, e o crédito ao consumidor em dezembro (18h).

… A reunião de política monetária do BC inglês (BoE) está marcada para as 10h.

ESCALA EM NY – Após cinco altas em série, que levaram as bolsas em Wall Street às melhores marcas em mais de dois meses, os índices acionários optaram por uma pausa nos ganhos sequenciais, à espera da fala de Powell.

… Também a contagem regressiva para a nova rodada de negociações comerciais entre os governos dos EUA e da China, prevista para a semana que vem, em Pequim, favoreceu a parada estratégica no mercado americano.

… Mas devolveram quase nada as bolsas, no sinal de que querem ir em frente. O Dow Jones fechou praticamente estável (-0,08%), a 25.390 pontos, o S&P 500 caiu 0,22% (2.731 pontos) e Nasdaq recuou 0,36%, aos 7.375 pontos.

… No clima de esperar para ver, houve alguma procura pelos Treasuries, derrubando o juro da Note de dez anos para 2,687%, de 2,701%. À noite, Powell não fez qualquer abordagem sobre a paciência da política monetária.

… Em evento, só procurou transmitir uma mensagem de confiança sobre o ritmo da economia americana, que está em um “cenário positivo”. Alvo de críticas de Trump, Powell ainda enalteceu a “preciosa” independência do FED.

Acompanhe o mercado com o BDM Online, acessando o nosso canal no Telegram: https://t.me/bomdiamercado.

EM TEMPO… TRF1 negou recurso em que VALE pedia retomada de operações de Onça Puma (PA)…

… A unidade respondeu por 11% da produção de níquel da companhia entre janeiro e setembro de 2018.

USIMINAS. No Estado, venda do negócio de mineração (Musa) travou após tragédia em Brumadinho…

… Insegurança jurídica após episódio interrompeu conversas com potenciais interessados (Arcelor e Ferrous).

EDP ENERGIAS DO BRASIL obteve licença de instalação para linha de transmissão no Maranhão.

ANGRA 3. O MME planeja fazer um roadshow em março para atrair investidores e finalizar a usina nuclear.

COSAN. A Fitch atribuiu rating ‘AAA(bra)’ para a emissão de debêntures de R$ 1,7 bilhão.

GOL. Conselho aprovou oferta para resgatar títulos emitidos no exterior com vencimento em 2022.

KLABIN. Conselho de administração aprovou a convocação de AGE para deliberar sobre incorporação da Sogemar.

BOLSAS DA ÁSIA: MERCADOS FECHAM SEM DIREÇÃO ÚNICA, COM LIQUIDEZ COMPROMETIDA POR FERIADO

São Paulo, 07/02/2019 – As bolsas da Ásia e do Pacífico encerraram os negócios desta quinta-feira sem direção única, com a liquidez ainda comprometida pelo feriado do ano-novo lunar, que mantém fechados os mercados da China, de Hong Kong e de Taiwan.

Investidores da região continuam atentos aos desdobramentos das negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Ontem, o Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, confirmou que viajará a Pequim na próxima semana, acompanhado de uma delegação, para retomar o diálogo comercial.

Segundo Mnuchin, ambos os lados estão comprometidos e se esforçando para fechar um acordo comercial até o prazo final de 1º de março. Mnuchin também descreveu as recentes conversas com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, em Washington, como “muito produtivas”.

No Japão, o índice Nikkei caiu 0,59% hoje, a 20.751,28 pontos, pressionado por ações de grandes empresas que divulgaram balanços decepcionantes, caso da montadora Toyota (-1,9%), da construtora Taisei (-5,3%) e da companhia química Asahi Kasei (-4,8%).

Na Coreia do Sul, a bolsa local ficou praticamente estável, depois de voltar de um feriado de três dias. O Kospi teve baixa marginal de 0,04% em Seul, a 2.203,42 pontos.

Já na Oceania, a bolsa australiana estendeu os ganhos recentes para o quarto pregão consecutivo, atingindo nova máxima em quatro meses. O S&P/ASX 200 avançou 1,1% em Sydney, a 6.092,50 pontos. (Sergio Caldas, com informações da Dow Jones Newswires – sergio.caldas@estadao.com)

PSC: COPOM INDICA QUE SELIC TENDE A PERMANECER NO ATUAL PATAMAR PELOS PRÓXIMOS MESES

São Paulo, 07/02/2019 – Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a Selic (a taxa básica de juros) em 6,50% ao ano. Foi a sétima reunião consecutiva em que a taxa seguiu no atual patamar. No próximo encontro do colegiado, marcado para o fim de março, a tendência é que o economista Roberto Campos Neto já esteja no comando do BC, em substituição a Ilan Goldfajn.

A decisão de ontem – a primeira após Jair Bolsonaro (PSL) ter assumido a Presidência da República – era largamente esperada pelos economistas do mercado financeiro. De um total de 51 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, todas projetavam manutenção da Selic em 6,50% ao ano – o menor patamar desde que a taxa foi criada, em 1996.

O Copom deu indicações que os juros tendem a permanecer no atual patamar pelos próximos meses. O baixo nível de inflação e a fraqueza da atividade econômica justificam isso.

Para o economista Luciano Sobral, do Banco Santander, não há nada no comunicado de ontem que “sugira que o BC esteja pensando em cortar juros, como tem aparecido no mercado”. O economista Julio Cesar Barros, da Mongeral Aegon Investimentos, avaliou que o comunicado sugere “juros constantes por tempo mais prolongado”.

A curva de juros deve reagir marginalmente nesta quinta-feira ao comunicado do Copom um pouco menos “dovish” do que a maioria do mercado esperava, segundo profissionais consultados pelo Broadcast.

Goldfajn, que anunciou que deixaria o BC no fim do ano passado, aguarda apenas o nome de Campos Neto ser aprovado pelo Senado para transferir o comando, o que deve ocorrer nas próximas semanas. A indicação de Campos Neto para a presidência do Banco Central chegou ao Senado nesta quarta-feira (6). A mensagem enviada pelo presidente Jair Bolsonaro deverá ser lida pelo plenário da Casa antes de ser enviada para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O colegiado, então, marcará uma data para a sabatina de Campos Neto. Depois, a indicação precisará ser aprovada pelos senadores em votação secreta.

Telegráficas
Previdência. A minuta da reforma da Previdência elaborada pela equipe econômica abre caminho para criação de uma nova contribuição que vai financiar a Previdência, com a equivalente desoneração da folha de salários. O texto, antecipado pelo Broadcast, tem um mecanismo que permite a criação de um novo tributo sobre base tributária a ser definida em lei complementar. A ideia é que a mudança fique diretamente relacionada à criação do regime de capitalização, segundo o qual os segurados contribuirão para contas individuais. O novo modelo valerá apenas para os novos trabalhadores, o que adia e atenua o custo da transição do atual regime de repartição (em que as contribuições atuais bancam os benefícios já concedidos) para a capitalização.

Governadores. Reunidos em Brasília, os nove governadores da região Nordeste exibiram nesta quarta-feira resistência às novidades sugeridas na minuta da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência revelada pelo Broadcast nesta segunda-feira (04). “É uma proposta que penaliza muito gravemente os mais pobres, sobretudo na idade, no tempo de contribuição e no regime de capitalização”, afirmou o Flavio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, a jornalistas. A afirmação reflete o resultado de um encontro ocorrido nesta quarta-feira em Brasília, em que se reuniram, além de Dino, os governadores do Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Piauí, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Alcolumbre. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), avaliou nesta quarta-feira que, embora o governo deva encaminhar simultaneamente ao Congresso a reforma da Previdência e o pacote anticrime, os parlamentares estão mais propensos a discutir primeiro a Previdência. “Compreendo que a gente combater a criminalidade, as facções criminosas e ter essa minuta apresentada tem a ver com o momento que o Brasil está vivendo, mas compreendo também que a reforma da Previdência hoje é urgente”, disse. Alcolumbre confirmou ainda que a Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso será comandada pelo MDB.

Vale. A Polícia Federal identificou em e-mails trocados por funcionários da Vale e da consultoria alemã Tüv Süd que a empresa de mineração já sabia de problemas com sensores da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) dois dias antes do rompimento que matou 150 pessoas e deixou 182 desaparecidos. As informações constam do depoimento do engenheiro Makoto Namba, coordenador de projetos da empresa Tüv Süd, à PF. Namba e outro engenheiro, André Yassuda, foram presos no dia 29 de novembro, quatro dias depois do estouro da barragem que despejou o mar de lama em Brumadinho. Nesta terça-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça mandou soltar os dois engenheiros.

Vale 2. O governo do Estado de Minas Gerais irá receber, de imediato, R$ 13,4 milhões da Vale para ressarcir seus gastos com as medidas emergenciais decorrentes do rompimento da Barragem I da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho. A medida foi acordada ontem entre a empresa e representantes da Procuradoria Geral da República, da Advocacia Geral da União (AGU), dos Ministérios Públicos Federal e Estadual e da Defensoria Pública, em reunião realizada na 6ª Vara de Fazenda Pública de Belo Horizonte. É lá que corre o processo que levou ao bloqueio de R$ 1 bilhão da empresa no dia seguinte à tragédia.

Bolsonaro. Após ter alta do Hospital Albert Einsten, o presidente Jair Bolsonaro ainda terá de ter um ritmo de atividades mais lento do que antes, afirmou nesta quarta-feira o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros. Recuperando-se de uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal, Bolsonaro está há dez dias internado na capital paulista e o Planalto evita estimar um prazo para o retorno a Brasília. Conforme boletim médico divulgado na tarde desta quarta-feira, Bolsonaro apresentou melhora em seu estado de saúde nas últimas 24 horas.

Flávio Bolsonaro. Procuradoria-Geral da República (PGR) devolveu para a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (PRE-RJ) o inquérito que investiga o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) por falsificação de documento público para fins eleitorais e lavagem de dinheiro. A investigação tem origem em um denúncia protocolada no Ministério Público do Rio de Janeiro que aborda operações de compra e venda de imóveis realizadas pelo primogênito do presidente Jair Bolsonaro. Segundo fontes, a PRE-RJ deve se manifestar pela não configuração de crime eleitoral na prestação de contas de Flávio Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

(Eulina Oliveira – eulina.oliveira@estadao.com)Bom dia!!
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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2019
NO OLHO DO FURACÃO
Por ROSA RISCALA (@rosa_riscala)*
… Produção industrial da Alemanha e reunião do BoE inglês abrem o dia dos mercados globais, que monitoram ainda mais uma tentativa de May de renegociar o Brexit, em Bruxelas. Em NY, Twitter divulga balanço antes da abertura. Aqui, tem Klabin e, à noite, Lojas Renner. A grande expectativa é para a Bovespa, que ontem assustou pelo tombo de quase quatro mil pontos, com Vale no olho do furacão arrastando as ações de bancos.

… O prognóstico de nova queda para Vale já vinha da noite anterior, quando a companhia declarou “força maior” para os contratos de vendas de minério, com a decisão judicial que paralisou sua segunda maior mina.

… Mas as coisas ficaram ainda piores no meio da tarde, depois que o governo mineiro suspendeu a licença para a Vale operar a barragem de Laranjeiras, onde está a mina de Brucutu, que produz 30 milhões toneladas/ano.

… A notícia levou a Bovespa a interromper as negociações com o papel para a divulgação de fato relevante, que confirmou a cassação da licença. Naquele momento, Vale ON caía 4,88%, cotada a R$ 42,46.

… Mesmo antes disso, o Ibovespa já renovava mínima sobre mínima, descendo a ladeira de mil em mil pontos. A queda foi generalizada, e com exceção de uma única ação, Suzano (+1,18%), todas as outras sangraram.

… Com queda de 3,74%, o Ibovespa fechou aos 94.636 pontos, e movimento financeiro de R$ 17,2 bilhões.

… O risco de exposição de crédito à Vale derrubou os papéis de bancos, com Itaú PN caindo a R$ 36,24 (-4,2%), Bradesco PN a R$ 43,54 (-4,7%), Santander Unit a R$ 47,73 (-4,1%) e Banco do Brasil ON a R$ 51,32 (-6%).

… Vale também levou junto Bradespar PN (-4,3%, R$ 27,02) e as siderúrgicas: CSN ON (-5,7%) e Gerdau (-3,7%).

… Perto do final do pregão, mais um baque atingiria a empresa: segundo Andréia Sadi (TV Globo), Vale tomou conhecimento de problemas nos sensores de Brumadinho dois dias antes do rompimento da barragem.

… Uma troca de e-mails identificada pela PF revelou que engenheiros da TUV SUD, responsável pelo laudo de estabilidade da barragem, alertaram a Vale nos dias 23 e 24 de janeiro. A barragem rompeu no dia 25.

… Em nota enviada à TV Globo, a empresa afirmou que “se absterá de fazer comentários sobre particularidades das investigações, de forma a preservar a apuração dos fatos pelas autoridades”.

… O impacto dessa informação tende a ser muito mais grave para Vale, e ainda repercutir no preço das ações.

… Especialista em barragens da UFMG, Carlos Barreira Martines explicou ao Globo que os sensores (piezômetros) são tubos que medem a pressão da água e disparam quando a drenagem falha e há risco de rompimento.

… Para ele, identificado o problema, a mina deveria ter sido imediatamente evacuada, o que preservaria centenas de vidas. Segundo o último balanço, 152 mortos já foram identificados e 182 continuam desaparecidos.

… Ainda nesta 4ªF, a Vale aceitou pagar R$ 13,4 milhões imediatamente ao governo de MG, em ressarcimento pelos gastos com as medidas emergenciais decorrentes do rompimento da barragem em Brumadinho.

… O acordo foi feito entre representantes da PGR, AGU, MPF, MP-MG e Defensoria Pública, em reunião ontem à tarde na 6ª Vara da Fazenda Pública de BH, onde corre processo que bloqueou R$ 1 bilhão da Vale.

PREVIDÊNCIA – Em entrevista, ontem à noite, na GloboNews, Rodrigo Maia voltou a defender com entusiasmo a reforma da Previdência, destacando a importância de o governo vencer a batalha da comunicação.

… O presidente da Câmara tem insistido muito no risco das “falsas informações” divulgadas pelas corporações, que contaminam a compreensão da reforma da Previdência, como aconteceu com a PEC de Temer.

… Segundo Maia, o novo governo tem credibilidade e acesso à população pelas redes sociais para obter apoio e explicar que, sem a reforma, o País entrará em “colapso fiscal, a recessão vai voltar e a inflação, explodir”.

… Na opinião dele, as corporações já começaram a se movimentar: “Quem você acha que vazou a minuta da PEC que circulou esta semana? Você tem alguma dúvida de que foi um servidor público”?

… Maia, no entanto, está confiante e otimista, acha que a reforma será aprovada e, mesmo com rito regimental, ou seja, discutida nas comissões respectivas, poderá ser votada na segunda quinzena de maio.

… Assim como Guedes, ele conta com o apoio dos governadores, com quem pretende se encontrar em várias viagens pelos Estados. “Eu tenho essa responsabilidade, de liderar a aprovação da reforma”.

… Nesta 4ªF, em busca de motivos para as quedas violentas da bolsa, o desconforto com um atraso na reforma era citado por alguns traders. Mas, embora as incertezas existam, a Previdência (ainda) não é a culpada.

UM LÍDER QUE NÃO LIDERA – Não é a proposta mais ou menos hardcore para a Previdência a preocupação do mercado, e sim as dificuldades de articulação política, que já estão sendo mostradas na Câmara.

… O líder do governo, major Vitor Hugo (PSL), é um novato no Congresso que não conquistou o respeito dos seus pares, por enquanto. Na primeira chamada para uma reunião de líderes, ninguém apareceu.

… Já Onyx, a despeito de ter vencido a disputa pelo Senado, elegendo Davi Alcolumbre, ainda não convenceu.

… Superado o início dos embates naturais deste início do ano legislativo, que levou para a Câmara a polarização da sociedade, o desafio do governo é avançar na construção de sua base. A PEC precisa de 308 votos.

LEVE-ME A SEU LÍDER – A dificuldade de articulação política ajudou a zerar ontem posições vendidas no dólar.

… Na máxima do dia, a moeda americana chegou a subir perto de 1,5% e bater em R$ 3,7165. Ainda que tenha desacelerado a alta (+1,11%), para R$ 3,7049 no fechamento, registrou a maior valorização dos últimos 11 pregões.

… Apontado como ponto de resistência técnica importante, se buscar R$ 3,73, pode trazer desconforto.

… A apreensão com um atraso do cronograma da agenda reformista relegou ao segundo plano os dados positivos do fluxo cambial de janeiro (US$ 55 milhões), revertendo o desempenho negativo de dezembro (US$ 995 milhões).

… Ainda a alta em escala global influenciou para o dólar apreciado. O iene caiu a 109,96/US$ e mais um indicador fraco derrubou o euro (US$ 1,1370), com o recuo das encomendas à indústria alemã em dezembro (-1,6%).

… Ainda a libra (US$ 1,2939) não resistiu a novas perdas, na véspera da viagem de May a Bruxelas, para encontro (12h) com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em meio à pressão para adiar o Brexit.

… Ela tentará definir novas regras que assegurem a não separação das duas Irlandas, o ponto mais polêmico do acordo. O divórcio da UE está marcado para 29 de março. A oposição quer adiar em dois meses, para 24 de abril.

… Apesar do dólar forte, o petróleo reverteu a baixa da abertura e se recuperou com os estoques do DoE um pouco melhores que o previsto. O Brent/abril subiu 1,15%, a US$ 62,69, e o WTI/março foi a US$ 54,01 (+0,65%).

FUGIU AO SCRIPT – Na despedida do BC, Ilan surpreendeu a expectativa do mercado, que esperava por um comunicado mais neutro do Copom, sem se comprometer com o futuro, diante da troca iminente de comando.

… Ao invés de só passar o bastão para Roberto Castelo Branco, até que ele seja sabatinado pelo Senado, Ilan pareceu endossar uma mensagem muito menos dovish do que se imaginava para quem está de saída do BC.

… Depois de confirmar o consenso de manutenção da Selic em 6,50% em fevereiro, o comitê de política monetária deixou pouca margem para prosperarem as apostas de corte do juro no curto prazo, apesar da inflação ancorada.

… Embora tenha reconhecido o arrefecimento dos riscos inflacionários, causou surpresa que a projeção para o IPCA deste ano tenha sido mantida em 3,9%, mais próxima do teto das estimativas dos analistas de mercado.

… O comunicado frustrou, assim, a expectativa de que o balanço de riscos ficasse mais balanceado e voltou a bater na tecla da “cautela e serenidade” como elementos úteis na perseguição da trajetória da inflação rumos às metas.

… O Copom deu ainda grande destaque no texto para a necessidade das reformas, “que afetam as expectativas e as projeções econômicas correntes”, das quais dependerão os próximos passos da política monetária.

… Passou a impressão de que o mais coerente é se esperar, por enquanto, pela estabilidade da Selic, o que tende a “abrir” os juros curtos hoje, eliminando a precificação das apostas de um desaperto ainda no primeiro semestre.

… Seja como for, o novo presidente do BC ainda é uma incógnita ao mercado. Desde que foi indicado, ainda não deu entrevistas, deslocando as expectativas para a sua sabatina no Senado, esperada para as próximas semanas.

… Nos ritos do Congresso, a sua indicação ao comando do BC chegou ontem ao Senado e deverá ser lida pelo plenário da Casa, antes de ser enviada para a Comissão de Assuntos Econômicos, que marcará a data da sabatina.

… Depois, a indicação de Roberto Campos Neto precisará ser aprovada pelos senadores em votação secreta.

… À espera do Copom, o janeiro/20 pouco oscilou ontem, a 6,375%, de 6,370%. Também o janeiro/21 não foi longe, de 7,001% para 7,020%. Já a ponta mais longa da curva do DI colocou prêmio de risco com a reforma.

… O vencimento para janeiro/23 subiu para 8,17%, de 8,09%, e o janeiro/25 avançou de 8,61% para 8,72%.

AGENDA – No day after do Copom, o IGP-DI (8h) deve voltar ao campo positivo em janeiro, após dois meses de deflação. As previsões variam de queda de 0,03% a alta de 0,38%, com mediana de 0,18%, em pesquisa Broadcast.

… Nos EUA, hoje à noite (22h30), fala o FED boy James Bullard (vota). Entre os indicadores, saem o auxílio-desemprego (11h30), com previsão de queda de 28 mil pedidos, e o crédito ao consumidor em dezembro (18h).

… A reunião de política monetária do BC inglês (BoE) está marcada para as 10h.

ESCALA EM NY – Após cinco altas em série, que levaram as bolsas em Wall Street às melhores marcas em mais de dois meses, os índices acionários optaram por uma pausa nos ganhos sequenciais, à espera da fala de Powell.

… Também a contagem regressiva para a nova rodada de negociações comerciais entre os governos dos EUA e da China, prevista para a semana que vem, em Pequim, favoreceu a parada estratégica no mercado americano.

… Mas devolveram quase nada as bolsas, no sinal de que querem ir em frente. O Dow Jones fechou praticamente estável (-0,08%), a 25.390 pontos, o S&P 500 caiu 0,22% (2.731 pontos) e Nasdaq recuou 0,36%, aos 7.375 pontos.

… No clima de esperar para ver, houve alguma procura pelos Treasuries, derrubando o juro da Note de dez anos para 2,687%, de 2,701%. À noite, Powell não fez qualquer abordagem sobre a paciência da política monetária.

… Em evento, só procurou transmitir uma mensagem de confiança sobre o ritmo da economia americana, que está em um “cenário positivo”. Alvo de críticas de Trump, Powell ainda enalteceu a “preciosa” independência do FED.

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EM TEMPO… TRF1 negou recurso em que VALE pedia retomada de operações de Onça Puma (PA)…

… A unidade respondeu por 11% da produção de níquel da companhia entre janeiro e setembro de 2018.

USIMINAS. No Estado, venda do negócio de mineração (Musa) travou após tragédia em Brumadinho…

… Insegurança jurídica após episódio interrompeu conversas com potenciais interessados (Arcelor e Ferrous).

EDP ENERGIAS DO BRASIL obteve licença de instalação para linha de transmissão no Maranhão.

ANGRA 3. O MME planeja fazer um roadshow em março para atrair investidores e finalizar a usina nuclear.

COSAN. A Fitch atribuiu rating ‘AAA(bra)’ para a emissão de debêntures de R$ 1,7 bilhão.

GOL. Conselho aprovou oferta para resgatar títulos emitidos no exterior com vencimento em 2022.

KLABIN. Conselho de administração aprovou a convocação de AGE para deliberar sobre incorporação da Sogemar.

BOLSAS DA ÁSIA: MERCADOS FECHAM SEM DIREÇÃO ÚNICA, COM LIQUIDEZ COMPROMETIDA POR FERIADO

São Paulo, 07/02/2019 – As bolsas da Ásia e do Pacífico encerraram os negócios desta quinta-feira sem direção única, com a liquidez ainda comprometida pelo feriado do ano-novo lunar, que mantém fechados os mercados da China, de Hong Kong e de Taiwan.

Investidores da região continuam atentos aos desdobramentos das negociações comerciais entre Estados Unidos e China. Ontem, o Secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, confirmou que viajará a Pequim na próxima semana, acompanhado de uma delegação, para retomar o diálogo comercial.

Segundo Mnuchin, ambos os lados estão comprometidos e se esforçando para fechar um acordo comercial até o prazo final de 1º de março. Mnuchin também descreveu as recentes conversas com o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, em Washington, como “muito produtivas”.

No Japão, o índice Nikkei caiu 0,59% hoje, a 20.751,28 pontos, pressionado por ações de grandes empresas que divulgaram balanços decepcionantes, caso da montadora Toyota (-1,9%), da construtora Taisei (-5,3%) e da companhia química Asahi Kasei (-4,8%).

Na Coreia do Sul, a bolsa local ficou praticamente estável, depois de voltar de um feriado de três dias. O Kospi teve baixa marginal de 0,04% em Seul, a 2.203,42 pontos.

Já na Oceania, a bolsa australiana estendeu os ganhos recentes para o quarto pregão consecutivo, atingindo nova máxima em quatro meses. O S&P/ASX 200 avançou 1,1% em Sydney, a 6.092,50 pontos. (Sergio Caldas, com informações da Dow Jones Newswires – sergio.caldas@estadao.com)

PSC: COPOM INDICA QUE SELIC TENDE A PERMANECER NO ATUAL PATAMAR PELOS PRÓXIMOS MESES

São Paulo, 07/02/2019 – Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a Selic (a taxa básica de juros) em 6,50% ao ano. Foi a sétima reunião consecutiva em que a taxa seguiu no atual patamar. No próximo encontro do colegiado, marcado para o fim de março, a tendência é que o economista Roberto Campos Neto já esteja no comando do BC, em substituição a Ilan Goldfajn.

A decisão de ontem – a primeira após Jair Bolsonaro (PSL) ter assumido a Presidência da República – era largamente esperada pelos economistas do mercado financeiro. De um total de 51 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, todas projetavam manutenção da Selic em 6,50% ao ano – o menor patamar desde que a taxa foi criada, em 1996.

O Copom deu indicações que os juros tendem a permanecer no atual patamar pelos próximos meses. O baixo nível de inflação e a fraqueza da atividade econômica justificam isso.

Para o economista Luciano Sobral, do Banco Santander, não há nada no comunicado de ontem que “sugira que o BC esteja pensando em cortar juros, como tem aparecido no mercado”. O economista Julio Cesar Barros, da Mongeral Aegon Investimentos, avaliou que o comunicado sugere “juros constantes por tempo mais prolongado”.

A curva de juros deve reagir marginalmente nesta quinta-feira ao comunicado do Copom um pouco menos “dovish” do que a maioria do mercado esperava, segundo profissionais consultados pelo Broadcast.

Goldfajn, que anunciou que deixaria o BC no fim do ano passado, aguarda apenas o nome de Campos Neto ser aprovado pelo Senado para transferir o comando, o que deve ocorrer nas próximas semanas. A indicação de Campos Neto para a presidência do Banco Central chegou ao Senado nesta quarta-feira (6). A mensagem enviada pelo presidente Jair Bolsonaro deverá ser lida pelo plenário da Casa antes de ser enviada para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O colegiado, então, marcará uma data para a sabatina de Campos Neto. Depois, a indicação precisará ser aprovada pelos senadores em votação secreta.

Telegráficas
Previdência. A minuta da reforma da Previdência elaborada pela equipe econômica abre caminho para criação de uma nova contribuição que vai financiar a Previdência, com a equivalente desoneração da folha de salários. O texto, antecipado pelo Broadcast, tem um mecanismo que permite a criação de um novo tributo sobre base tributária a ser definida em lei complementar. A ideia é que a mudança fique diretamente relacionada à criação do regime de capitalização, segundo o qual os segurados contribuirão para contas individuais. O novo modelo valerá apenas para os novos trabalhadores, o que adia e atenua o custo da transição do atual regime de repartição (em que as contribuições atuais bancam os benefícios já concedidos) para a capitalização.

Governadores. Reunidos em Brasília, os nove governadores da região Nordeste exibiram nesta quarta-feira resistência às novidades sugeridas na minuta da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma da Previdência revelada pelo Broadcast nesta segunda-feira (04). “É uma proposta que penaliza muito gravemente os mais pobres, sobretudo na idade, no tempo de contribuição e no regime de capitalização”, afirmou o Flavio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, a jornalistas. A afirmação reflete o resultado de um encontro ocorrido nesta quarta-feira em Brasília, em que se reuniram, além de Dino, os governadores do Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Piauí, Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Alcolumbre. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), avaliou nesta quarta-feira que, embora o governo deva encaminhar simultaneamente ao Congresso a reforma da Previdência e o pacote anticrime, os parlamentares estão mais propensos a discutir primeiro a Previdência. “Compreendo que a gente combater a criminalidade, as facções criminosas e ter essa minuta apresentada tem a ver com o momento que o Brasil está vivendo, mas compreendo também que a reforma da Previdência hoje é urgente”, disse. Alcolumbre confirmou ainda que a Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso será comandada pelo MDB.

Vale. A Polícia Federal identificou em e-mails trocados por funcionários da Vale e da consultoria alemã Tüv Süd que a empresa de mineração já sabia de problemas com sensores da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) dois dias antes do rompimento que matou 150 pessoas e deixou 182 desaparecidos. As informações constam do depoimento do engenheiro Makoto Namba, coordenador de projetos da empresa Tüv Süd, à PF. Namba e outro engenheiro, André Yassuda, foram presos no dia 29 de novembro, quatro dias depois do estouro da barragem que despejou o mar de lama em Brumadinho. Nesta terça-feira (5), o Superior Tribunal de Justiça mandou soltar os dois engenheiros.

Vale 2. O governo do Estado de Minas Gerais irá receber, de imediato, R$ 13,4 milhões da Vale para ressarcir seus gastos com as medidas emergenciais decorrentes do rompimento da Barragem I da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho. A medida foi acordada ontem entre a empresa e representantes da Procuradoria Geral da República, da Advocacia Geral da União (AGU), dos Ministérios Públicos Federal e Estadual e da Defensoria Pública, em reunião realizada na 6ª Vara de Fazenda Pública de Belo Horizonte. É lá que corre o processo que levou ao bloqueio de R$ 1 bilhão da empresa no dia seguinte à tragédia.

Bolsonaro. Após ter alta do Hospital Albert Einsten, o presidente Jair Bolsonaro ainda terá de ter um ritmo de atividades mais lento do que antes, afirmou nesta quarta-feira o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros. Recuperando-se de uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal, Bolsonaro está há dez dias internado na capital paulista e o Planalto evita estimar um prazo para o retorno a Brasília. Conforme boletim médico divulgado na tarde desta quarta-feira, Bolsonaro apresentou melhora em seu estado de saúde nas últimas 24 horas.

Flávio Bolsonaro. Procuradoria-Geral da República (PGR) devolveu para a Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (PRE-RJ) o inquérito que investiga o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) por falsificação de documento público para fins eleitorais e lavagem de dinheiro. A investigação tem origem em um denúncia protocolada no Ministério Público do Rio de Janeiro que aborda operações de compra e venda de imóveis realizadas pelo primogênito do presidente Jair Bolsonaro. Segundo fontes, a PRE-RJ deve se manifestar pela não configuração de crime eleitoral na prestação de contas de Flávio Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

(Eulina Oliveira – eulina.oliveira@estadao.com)

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